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A Psicologia no Brasil:
Histrico e Perspectivas Atuais
Prof Armando Rocha Jnior
ara escrever este captulo, tive a preocupao de conseguir contar um pouco da histona da 
Psicologia no Brasil sem me tomar enfadonho, principalmente para aqueles que esto 
iniciando seus estudos em Psico logia e, possivelmente, recebero a indicao dessa obra 
como leitura bsica.
Em minha experincia como docente sempre tive claro que os alunos se interessam em 
conhecer os caminhos percorridos pela cincia e profisso que escolheram para atuar, 
contudo, costumeiramente, preferem as formas mais objetivas de comunicao.  
exatamente dessa forma que pretendo contar aos leitores o pouco que sei sobre a trajetria 
da Psicologia.
Antes de mais nada, proponho aos leitores uma reflexo sobre o quanto  jovem a 
Psicologia e a profisso de psiclogo no Brasil. Por exemplo, acredito que muitos j 
escutaram falar quanto  antiga a Medicina. Se pensarmos na milenar Medicina Chinesa 
ento, nos sentiremos, com certeza, muito inseguros e frgeis cientfica e 
profissionalmente. Esses sentimentos so comuns quando no conhecemos bem a 
Psicologia e o quanto ela conseguiu progredir em to pouco tempo. Pensando-se em tempo 
concreto, Psicologia como cincia comeou a desenvolver-se mais ruidosamente h cerca 
de 100 anos e
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Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos
somente h 37 anos os psiclogos brasileiros puderam assumir a sua profisso
oficialmente, visto que ela foi regulamentada em 1962.
7.1 Da Regulamentao da Profisso at a Dcada de 1980
A profisso de psiclogo foi criada em 1962, pela lei 4.119 de 27/08/62, momento em que 
j existiam alguns cursos de graduao e especializao em Psicologia. Nessa poca, 
tambm j existia a Associao Brasileira dos Psiclogos, criada em 1954, com sede no Rio 
de Janeiro. O primeiro currculo mnimo oficial, ou seja, o conjunto mnimo de disciplinas 
que deveriam ser oferecidas nos cursos de graduao de Psicologia, foi fixado pelo 
Conselho Ferderal de Educao em 1963 e expressava urna viso daquilo que se ensinava 
nesses cursos isolados e da prtica profissional em Psicologia exercida especialmente por 
pedagogos.
Essa prtica era desenvolvida, principalmente, em instituies, uma
vez que o trabalho em consultrios, segundo Chaves (1992), era bem
restrito, em razo da quase inexistncia de cursos de Psicologia.
Nas instituies, a prtica da Psicologia estava voltada  doena mental e ao ajustamento 
educacional. Trabalhavam a profissionais formados no exterior e mais aqueles que, tendo 
realizado aqui cursos superiores, especialmente nas reas de Educao, Filosofia e Cincias 
Sociais, passavam a trabalhar fazendo aplicaes de Psicologia, complementando, pelas 
experincias dirias, a sua formao acadmica.
Nessa poca, existiam em So Paulo somente os cursos da USP e da PUC. A partir do 
primeiro currculo mnimo oficial e, portanto, da regulamentao da profisso, ocorreu sua 
ampliao extraordinria, principalmente nas reas clnica e de psicometria. Tal expanso 
procurava preencher os espaos de uma sociedade carente de servios de Psicologia e das 
prprias instituies que comeavam a valorizar o trabalho dos profissionais de Psicologia. 
Alm disso, com a primeira turma do curso de Psicologia, formada pela PUC do Rio de 
Janeiro, em 1960, as vrias especialidades comearam a aparecer, tanto na prtica quanto 
nas reunies cientficas, indicando, assim, a cons ao da profisso.
A Psicologia no Brasil: Histrico e Perspectivas Atuais
Com o golpe militar de 1964 e a instalao de um regime repressivo, o avano da 
Psicologia e as suas conquistas foram logo retardadas, pois o Ministrio da Educao 
decidiu fazer alteraes nos currculos. Essas mudanas, aparentemente sutis, baseavam-se 
principalmente na valorizao de disciplinas prprias das Cincias Biolgicas, em 
detrimento daquelas vinculadas s Cincias Humanas, especialmente a Filosofia e a 
Sociologia. Alm disso, foi includa no currculo mnimo a disciplina Psicologia 
Comunitria. Esta sempre teve sua importncia reconhecida, tanto que est sendo includa 
em vrios currculos plenos. Contudo, naquela poca, os seus objetivos foram manipulados 
pelo governo, O que se pretendia com isso era o desenvolvimento de tcnicas que 
possibilitassem a manipulao de massas, penetrando-se em diversos grupos da sociedade, 
com o intuito de convert-lo  prtica do Estado. Em 1969, houve urna corrida em direo  
criao dos cursos de Psicologia por causa da reforma universitria que permitiu um 
aumento expressivo das faculdades particulares.
Em 1970, j haviam sido criados vrios cursos da rede privada, tanto na capital quanto no 
interior, cursos que, com algumas excees, permanecem ativos at hoje. No entender de 
Chaves (19921), essa expanso foi muito ruim para a cincia e para a profisso, pois 
surgiram escolas sem controle, com baixa qualidade de ensino e urna formao muito 
precria para os estudantes.
Desse momento histrico at o incio dos anos 80, duas foras distintas, professores e 
estudantes dos cursos de Psicologia, mantiveram discusses e laborararn propostas de 
reestruturao do currculo de Psicologia. Tais foras decorreram, principalmente, das 
exigncias tcnico-profissionais com o objetivo de se proceder  avaliao de 
aproximadamente 15 anos de regulamentao da profisso (Lei 4.119, de 1962). 
Constituram-se tambm como campo de luta contra a ditadura militar em que se 
transformou a universidade brasileira, sob a gide do compromisso poltico a favor dos 
oprimidos e contra o controle ideolgico/poltico imposto  universidade e  sociedade 
brasileira.
Certamente, tais foras no foram exercidas literalmente e, tampouco, produziram 
consensos quanto s modificaes que foram introduzidas. Contudo, um resultado 
constatvel desse perodo, segundo Odair Sass, conselheiro-presidente do CRP-06,  o 
seguinte:
 para alguns, que desejavam modificaes mais
profundas, os efeitos obtidos ficaram restritos  incluso de algumas
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 Psicologia: Das Razes aos Movimentos (ontemporneos  disciplinas,  declarao de 
que a fornkao seria mais crtica e
condizente com a realidade brasileira: muito aqum, portanto, das exigncias. Para outros, 
que no desejavam mudana alguma, os resultados deformaram a Psicologia e a formao 
do psiclogo de seu leito normal.
7.1.1 O Currculo Mnimo de Psicologia
O currculo mnimo dos cursos de Psicologia foi estabelecido pelo
Parecer n403, do Conselho Federal de Educao, cujo relator foi o professor
Vainir Chagas. Veio acompanhado pela respectiva resoluo que passou a
vigorar a partir de 1963.
De acordo com essa resoluo, o currculo mnimo do curso de Psicologia para o 
Bacharelado/Licenciatura e a formao de Psiclogo se compe de um corpo de disciplinas 
constantes dos Quadros 1 e II que apresento aos leitores, principalmente queles ligados  
Psicologia (profissionais ou alunos),  guisa de curiosidade e at de comparao com o que 
existe hoje e ainda dever ser atualizado a partir da aprovao das novas Diretrizes 
Curriculares para os cursos de Psicologia que esto em pleno processo de discusso.
Quadro 1
Currculo Mnimo de Psicologia: Licenciatura e Bachare lado
(Durao: 4 anos)
Fisiologia
Estatstica
Psicologa Geral e Experimental
Psicologia do Desenvolvimento
Psicologia da Personalidade
Psicologia Social
Psicopatologia Geral Ano de implantao: 1963
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A Psicologia no Brasil: Histrico e Perspectivas Atuais
Os estgios supervisionados, ou seja, o treinamento prtico na formao de Psiclogo, por 
sugestes do relator do Parecer n 403, devem ser oferecidos ao longo de pelo menos 500 
horas. A resoluo que criou esse currculo mnimo no prev os contedos a serem 
desenvolvidos nas diversas disciplinas, nem as respectivas emendas. Da mesma forma, no 
prev a carga horna de cada uma delas.
Quadro II
Currculo Mnimo de Formao de Psiclogo
(Durao: 5 anos)
 Todas as disciplinas relacionadas no Quadro 1, mais:
 Tcnicas de Exame e Aconselhamento Psicolgico
 tica Profissional
Trs disciplinas dentre as abaixo:
        Psicologia do Excepcional
        Dinmica de Grupo e Relaes Humanas
        Pedagogia Teraputica
        Psicologia Escolar e Problemas de Aprendizagem
        Teoria e Tcnicas Psicoterpicas
        Seleo e Orientao Profissional
        Psicologia da Indstria
        Estgio Supervisionado
Observao: Nos 5 anos de durao do Curso de Formao de Psiclogo, esto includos os 
estgios supervisionados e os 4 anos de Bacharelado e Licenciatura.
Ano de implantao: 1963
Nos ltimos 31 anos, ocorreram mudanas enormes no Brasil e no mundo, nos mais 
variados aspectos: cultural, social, poltico, ideolgico etc. Questes como estresse, drogas 
e neurose urbana, entre outras, que, em 1963, mal despertavam a ateno dos psiclogos, 
hoje requerem a sua interveo. Com tais mudanas, novos paradigmas surgiram. Contudo, 
o
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 Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos 
currculo mnimo estabelecido para os cursos de Psicologia no incio da
dcada de 1960 (ver Quadros 1 e II) e que permaneceu at meados de 1995 (hoje extinto 
pelo MEC) ainda influencia muitos cursos. Em 1978, houve uma tentativa muito sria de 
mudar o currculo mnimo. No entanto, pela primeira vez, criou-se um ncleo de psiclogos 
do pas inteiro, com estudantes e profissionais que se posicionaram contra essa proposta de 
mudana. Por causa dessa presso, a modificao no aconteceu. Chegou-se  concluso de 
que o currculo mnimo era pssimo, pois possibilitava um enfoque nico dos cursos de 
Psicologia, direcionado-os s Cincias Biolgicas e ao modelo mdico, o que os distanciava 
cada vez mais da Cincias Sociais e das comunidades em que eram implantados. Mesmo 
com essas crticas, as mudanas que estavam sendo projetadas para o currculo mnimo 
eram vistas como piores em relao ao que j se tinha, pois contemplavam primordialmente 
o trabalho institucional, cerceando a autonomia profissional em nome do Estado. Alem 
disso,
 ainda no ofereciam uma formao generalista ao aprendiz, impedindo-o de possuir uma 
gama maior de possibilidade de atuao no mercado de trabalho. (Moreira, 1991, p.7)
O fato  que, at o final da dcada de 1980, apenas mudanas tnues foram tentadas sem 
sucesso prtico. Contudo, desde 1991, vem-se discutindo intensamente a forma de se 
administrar e coordenar a Psicologia no Brasil. Tambm  perceptvel que os psiclogos 
desejam uma reviso profunda no modelo de formao profissional (currculo) e nas 
entidades que os representam, exigindo uma redefinio de papis e de funes no mercado 
profissional, seja nas instituies pblicas ou nas particulares.
Com base na anlise dos fatos e discusses que objetivam as mudanas em relao ao 
cunculo mnimo at o incio de 1994, observou-se que, durante toda a dcada de 1970, o 
que se conseguiu realmente foi a incluso e a retirada de algumas disciplinas dos currculos, 
a exemplo da Filosofia, Antropologia e Sociologia, dentre outras, sob a alegao de que a 
formao seria mais crtica e condizente com a realidade brasileira. Tambm se assistiu  
tentativa forte, mais frustrada, de se mudar o currculo imposto pelo MEC em 1962, 
havendo, nesse episdio, uma grande oposio,
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A Psicologia no Brasil: Histrico e Perspectivas Atuais 
feita por profissionais e estudantes dos cursos de Psicologia do Brasil
inteiro.
Na dcada de 1980, a formao profissional foi acometida de certa
calmaria e passividade, asistindo-se a pequenas mudanas, quase ajustes
individuais de currculos sem qualquer expresso regional ou nacional.
J a partir de 1990 e at os dias de hoje, os prprios rgos represen tativos dos psiclogos 
 Conselhos Federal e Conselhos Regionais , finalmente atendendo  vontade de 
mudanas de quase toda a categoria, tendem a mostrar um calendrio de atividades bastante 
dinmico. Comeou em 1992, com o 1 Encontro de Coordenadores de Curso de Formao 
de Psiclogos, destinado a ouvir os responsveis pelos cursos de Psicologia das diversas 
agncias formadoras e, a partir da, elaborar propostas de mudanas. Esse primeiro 
momento nacional de debates, conhecido como Encontro de Serra Negra, alm de 
amadurecer idias, foi til para a preparao do Congresso Regional Constituinte, 
principalmente por oferecer os setes princpios norteadores para a formao acadmica:
1) desenvolver a conscincia poltica de cidadania e o compromisso com a realidade social 
e com a qualidade de vida;
2) desenvolver a atitude de construo do conhecimento, enfatizando uma postura crtica, 
investigadora e criativa, fomentando a pesquisa num contexto de ao-reflexo-ao, bem 
como viabilizando a produo tcnico-cientfica;
3) desenvolver o compromisso de ao profisssional cotidiana, baseada em princpios 
ticos, estimulando a reflexo permanente desses
fundamentos;
4) desenvolver o sentido de universidade, contemplando a interdisci plinaridade e a 
indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e
a extenso;
5) desenvolver a formao bsica pluralista, fundamentada na discusso epistemolgica, 
visando  consolidao de prticas profissionais, conforme e realidade sociocultural, 
adequado o currculo pleno e cada agncia formadora ao contexto regional;
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Psicologia: Das Razes aos I ovi,nentos Conteinporneos 
6) desenvolver uma concepo de homem, compreendido em sua integralidade e na 
dinmica de suas condies concretas de
existncia;
7) desenvolver prticas de interlocuo entre os diversos segmentos acadmicos, para a 
avaliao permanente do processo de formao.
(Fonte: Jornal do CRP  Setembro/Outubro 1992)
No Congresso Regional Constituinte, realizado em maio de 1994, portanto, dois anos aps 
o Encontro de Serra Negra, esses princpios foram mais bem discutidos e, 
posteriormente, transformados em propostas capazes de repensar, entre outros pontos, a 
formao profissional. Na realidade, ou melhor, na prtica, o Congresso Regional 
Constituinte, embora tenha produzido propostas, foi uma etapa preparatria para o 
Congresso Nacional Constituinte da Psicologia que tinha tambm como objetivo rever a 
formao dos seus profissionais  preocupao acentuada desde 1992 com o Encontro de 
Serra Negra.
No Congresso Nacional Constituinte, em agosto de 1994, ocorreram novas discusses sobre 
as propostas oriundas do Encontro de Serra Negra. A verdade  que, em relao  
formao profissional, pouco se avanou, talvez por esse tema ter ficado para o ltimo dia 
do Congresso, no havendo mais tempo para aprofundamentos. O que se fez de prtico foi 
tomar algumas decises para implementao imediata e criar dois princpios de ao:
1) a formao dever ser bsica e consistente, mantendo a concepo do psiclogo 
generalista e abrangendo as variadas abordagens
psicolgicas e reas de atuao;
2) a formao para desenvolver a postura cientfica, sempre voltada  produo de 
conhecimento, encarando a Psicologia como algo no acabado e respeitando a 
interdisciplinaridade com outras reas. (Fonte: Jornal do CRP  Setembro/Outubro  
1994)
Alm disso, chamou a ateno, no Congresso Nacional de Psicologia,
a forma de conduta das propostas acerca da Psicologia, uma vez que se
ps de lado o antigo conceito de fiscalizao individual dos profissionais
e escolas para se pensar a formao em termos do conjunto constitudo
pelas mesmas entidades.
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 A Psicologia no Brasil: Histrico e Perspectivas Atuais
Como se pode observar, de 1962, quando da regulamentao da profisso de psiclogo, at 
meados da dcada de 1990, uma srie de discusses foi realizada sobre a nova profisso e, a 
partir da, um novo rumo comeou a ser delineado dia-a-dia.
7.1.2 Os Passos Finais para a Reestruturao Curricular da Graduao em Psicologia
Desde 1995, os psiclogos e, principalmente, as agncias formadoras esto enviando, a 
pedido dos Conselhos Federal e Conselhos Regionais de Psicologia, propostas para 
reestruturao curricular dos cursos de graduao em Psicologia.
Em 1998, foi instalada uma Comisso de Especialistas, indicada pela SESU Ministrio da 
Educao, com a misso de estudar e propor uma nova direo  formao em Psicologia. 
Os resultados do trabalho dessa Comisso j se fazem sentir, tanto que, em maio de 1999, 
os responsveis pelos cursos de Psicologia no Brasil receberam uma minuta das Diretrizes 
Curriculares da Graduao em Psicologia, encaminhada pela referida comisso de 
especialistas. Trata-se de um material denso, com reconhecimento til para aqueles que 
possuem a responsabilidade de instalar e conduzir cursos de Psicologia no Brasil.
O documento sobre novas Diretrizes Curriculares da Psicologia, como  chamado, ainda 
em fase de discusso e aperfeioamento, trata das trs etapas da formao em Psicologia; 
Licenciatura, Bacharelado e Formao do Psiclogo. Explicita uma grande importncia a 
cada uma dessas etapas e, o que  melhor, sempre oferecendo uma definio clara dos seus 
respectivos objetivos.
Alm das trs etapas da formao em Psicologia, outros aspectos, que em breve sero 
sentidos na formao profissional, tambm podero ser destacados a partir das novas 
Diretrizes Curriculares de Graduao em Psicologia. Essas Diretrizes no cabem ser 
discutidas nesse momento, uma vez que esto em fase de aprimoramento e ainda levaro 
algum tempo para sua total aprovao e aplicao, contudo, j esto estimulado os 
responsveis pelos cursos de Psicologia do pas a refletir sobre futuras mudanas a serem 
implementadas as quais, muito provavelmente, traro um novo impulso para a formao
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 Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos
de Psiclogos no Brasil, ajustando os recm-formados s necessidades da
comunidade e exigncias do mercado de trabalho.
7.1.3 O Mercado de Trabalho na Atualidade
Hoje, quando ouo qualquer discusso acerca de mercado de trabalho, independentemente 
da rea de formao do profissional, as queixas so comuns, sempre baseadas na escassez 
de postos de trabalho. Assim sendo, as dificuldades so reais para o mdico, o engenheiro, 
o psiclogo, o dentista etc.
Apesar de reconhecer esse problema, sempre que posso aproveito as minhas aulas para 
refletir com os alunos que, apesar de a colocao profissional estar dificil para todos, ela 
no  impossvel, desde que o recm-formado esteja preparado para disput-la.
Acredito que neste momento da leitura, tanto os estudantes quanto os profissionais ainda 
no colocados no mercado de trabalho esto perguntando como seria estar preparado para 
disputar uma vaga na sua rea de formao.
O que sempre procuro informar a quem me questiona nesse sentido  que acredito que o 
emprego futuro se comea a conquistar na poca em
que se est na universidade.
Entendo que todos os alunos passam pela universiade com uma certa tranqilidade, chegam 
pontualmente s aulas, so assduos na freqncia e pontuais na entrega dos trabalhos. Isso, 
no meu modo de ver,  quase bvio para a vida de um estudante, portanto, algo mais 
precisa ser feito para voc fugir desse bvio e ser um estudante com algo a mais, 
possivelmente o algo a mais que vai lhe garantir o emprego aps a formatura.
Pensando-se nesse plus que deve ser provocado pelo estudante  que destaco as 
participaes do aluno, mesmo que isto lhe exija sacrificos, em congressos, simpsios, 
encontros diversos, inclusive os de iniciao cientfica, participao em grupos de pesquisa 
e/ou estudos, monitorias, cursos de extenso, aperfeioamento, alm,  claro, de todos os 
estgios possveis que sejam compatveis com o momento em que o aluno se encontra em 
seu curso de formao.
Notem, caros leitores, especialmente aqueles que ainda so alunos,
como se pode sair diferenciado para disputar o mercado de trabalho a
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A Psicologia no Brasil. Histrico e Perspectivas Atuais
partir de algumas atividades extracurriculares realizadas durante a fase
de graduao.
Dessa forma, aqueles que tiverem oportunidade, talvez vontade, eliminaro, com um 
curriculum vitae mais encorpado pelas atividades extras que realizaram, o famoso e batido 
fantasma da frase: Precisa-se de recm-formado com EXPERINCIA. Vocs sabem 
sobre o que se refere essa experincia to exigida dos recm-formados? Nada mais do 
que s participaes extracurriculares ao longo da graduao. Alm disso, um curriculum 
vitae recheado de atividades extracurriculares no mnimo demonstrar que aquele 
profissional recm-formado esforou-se e foi interessado na busca de novos conhecimentos 
e experincias, paralelamente  sua formao profissional. Portanto, possivelmente ter 
algo a mais para oferecer quele que o contratar. Notem que um curriculum vitae oferece ao 
selecionador muitas informaes, as objetivas (aquilo que est escrito) e as subjetivas 
(aquilo que se deduz a partir daquilo que est registrado).
Aps essas reflexes ou explicaes, acredito ter deixado claro que logicamente 
entendemos que, como quase tudo na vida, o emprego aps a concluso da graduao, 
inclusive em Psicologia,  dificil, contudo, em hiptese alguma  impossvel.
Um outro grande alento importante a se destacar, especialmente para a rea de Psicologia,  
em relao  sua vastido. Afinal de contas, o psiclogo possui como mercado de trabalho, 
alm das trs grandes reas conhecidas (Clnica, Escolar e Organizacional), uma imensido 
de campos como:
hospitalar, criminal, jurdico, forense, da propaganda, do marketing, do consumidor, 
institucional, social e da sade pblica, entre outras. Portanto, cabe cada um de ns  
arregaar as mangas e partir decididamente para conquistar o espao que pode estar a nossa 
espera.
7.1.4 Representao Social Atual da Psicologia
Aps discutirmos e concluirmos que o mercado de trabalho no  o fantasma que 
imaginvamos, seria interessante conhecer um pouco sobre qual a representao que a 
Psicologia tem para as pessoas, afinal so essas pessoas que constituem o mercado de 
trabalho do pscologo, independentemente da
109
Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos  rea de atuao do 
profissional, uma vez que ns, profissonais da Psicologia,
estudamos e trabalhamos para um objetivo bsico: o bem-estar do homem.
Para tanto, eu gostaria de divulgar a concluso de uma pesquisa que realizamos em parceria 
com alunos do primeiro semestre de 1995 do curso de Psicologia da Universidade 
Presbiteriana Mackenzie. Tal pesquisa tinha como objetivo final verificar o grau de 
conhecimento que a populao em geral tinha sobre a Psicologia, o psiclogo e o seu 
trabalho. Os resultados obtidos, embora tenham causado certa surpresa aos alunos de ento, 
para mim s coincidiram com o que eu j conhecia sobre o tema a partir do contato mantido 
com os pacientes das clnicas-escola de algumas universidades.
Na realidade, por mais nova que seja a Psicologia e a profisso de
psiclogo, as pessoas da comunidade sabem perfeitamente o que  a cincia
Psicologia e o trabalho que se espera do psiclogo.
Por mais humildes que sejam as pessoas, verificou-se que elas tm, na expressiva maioria, 
uma viso correta da Psicologia, talvez no to ampla e detalhada, mas objetiva e certa, 
relacionando-se  cincia que estuda o comportamento.
Sobre o que  ser psiclogo, cerca de 60% das pessoas entrevistadas posicionaram-se 
corretamente, sem aqueles exageros ou respostas simplrias de que o psiclogo  um 
mdico de loucos. Quanto s reas de atuao do psiclogo, a maioria absoluta das 
pessoas a citam corretamente e, para nossa empolgao maior, chegam a citar inclusive 
reas novas , consideradas um dos novos files do campo de trabalho (por exemplo, a rea 
hospitalar).
Alm desse conhecimento, pelo menos um tero dos entrevistados faz ou fez uso dos 
servios profissionais de um psiclogo em alguma fase de sua vida (inifincia, adolescncia 
e adulta), fato bastante significativo por se tratar de uma fatia acentuada da populao 
pesquisada, alm de mostrar que as pessoas j falam da utilizao desses servios 
profissionais sem qualquer constrangimento ou preconceito.
 importante ainda destacar que o nvel de escolaridade no  to
significativo para que o indivduo procure ou no os servios de um psiclogo,
o mesmo podendo-se dizer em relao ao sexo, embora a diferena entre
as mulheres e homens que procuraram os servios de Psicologia chegue a
18% a favor das mulheres.
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A Psicologia no Brasil: Histrico e Perspectivas Atuais
Nota-se, no entanto, que a condio financeira desfavorvel, constante ou passageira,  um 
fator complicador para se procurar pelos servios de Psicologia, sendo que, nesse 
particular, as clnicas-escola, as consultorias escola e os servios filantrpicos prestados 
pelos cursos de Psicologia ajudam consideravelmente os mais carentes.
Em ltima anlise, o que podemos perceber  que a comunidade v com bons olhos e 
entende perfeitamente o que  Psicologia e os servios prestados por profissionais dessa 
rea, alertando-nos cada vez mais para a possibilidade de trabalhos preventivos em 
contraponto com o que mais se oferece hoje, os servios de carter curativo nas diversas 
reas da Psicologia.
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